Cotidiano 

As manhãs têm sido claras e quentes, e o céu apresenta um azul impecável, sem a menor intenção de qualquer outra cor, um azul celeste por natureza, grandioso, azul.

No decorrer da minha habitual viagem matutina fico imaginando esse céu muito distante, ou mesmo lá de casa, uma vez que parece que minha casa se encontra em qualquer lugar muito distante dos demais por onde realizo minha jornada diária.

Mas bem, eu estava divagando sobre o céu…

O céu me passa essa sensação de calmaria, e eu aqui dentro desse ônibus me imagino ave. Uma ave trancada numa gaiola vítrea e móvel que me leva aos mesmos lugares todos os dias.

Pensando aqui, todos esses lugares repetidos diariamente, bem poderiam ser o cenário de um filme, ou algo que o valha, o ônibus uma grande cúpula onde a ave vive aprisionada, o enredo, a trama, e o céu ao fundo, o final feliz parecendo convidar à fuga.

…As janelas do ônibus reforçando a sensação da cúpula transparente.

Enquanto estou aqui escrevendo, começo a me imaginar mesmo do lado de lá. Dei o sinal, desci do ônibus, sai andando.

A propósito, estou passando em frente ao SESC Belenzinho, vou aproveitar para relaxar um pouco em frente à piscina, saio voando. Lá estou. Gosto de ver o azul de lá.

Poderia ir ao cemitério do Tatuapé que fica ao lado, e apesar de fúnebre e parecer ser um programa de gosto duvidoso, também é um lugar agradável. O azul de lá também me passa a sensação de calmaria.

Daqui de dentro do carro, o azul também é agradável, mas é angustiante porque ele passa.  

Eu não percebo que ele passa no exato momento em que o estou vislumbrando, porém existe alguma sensação interna que me denuncia isso. No momento em que estou olhando o céu e me deleitando com o azul, estou apenas ali, e também em outros lugares, verdade, pois como expliquei antes, a sensação toda me transporta, mas é tudo imaginário e ideal. Porém, existe essa angustia.

Deve ser o relógio biológico que já está programado para sentir a penúria todos os dias.

Não adianta observar, imaginar. Não. O relógio biológico já está programado e me prepara para o sofrimento:

-Vai passar, o azul vai passar!

Meu próprio relógio interno, biológico, nasceu comigo, me traindo dessa forma, me contrariando diariamente.

A dor da perda.

A perda de alguma coisa que eu nunca tive, a perda de um lugar onde nunca estive.

Triiiiim!!! Hora de acordar!

Vou descer do ônibus, me aprumar e seguir meu caminho rumo a um obscuro escritório no topo de um edifício, passar o dia sem a vitamina D, trancado sem céu, sem Sol, até que por fim o Sol se ponha.  

Mas o azul é uma meta, um objetivo de vida mesmo. Um azul bem vazio, bem gelado e frio e bem distante também que eu não gosto de me vestir demais. Uma bermuda, uma camisa leve, o sol, calor e o azul. Lá em cima em seu altar celeste, azulando o céu inteiro. E porque não se utilizando de sua vestimenta de Deus Urano e reinando majestoso como o pai que proporciona a tranquilidade de espírito às suas crianças.

Já li em alguma publicação de misticismo ou de medicina alternativa, não lembro, que o azul é uma cor que acalma o ser humano. Que tem a propriedade de ativar os hormônios que pacificam o humor do indivíduo. Deve ser verdade mesmo, porque a cor azul deve lembrar o céu pra todo mundo que olha, e o céu é essa coisa calma e infinita que é azul, mas por detrás a gente sabe que é escuro, só que não entende direito porque o tom se dilui tão claro aqui na nossa atmosfera.

Talvez Deus em toda sua sabedoria tenha decidido pelo azul do céu pra compensar àqueles que no meio de toda confusão, arquitetada por Ele, a qual chamamos de vida, lembrassem de parar por um instante e buscá-lo acima de nossas cabeças, já que Ele mesmo nos vem orientando a direção de sua morada através dá história.

Eu poderia fazer uma alusão à prática do ioga e a busca pelo sagrado e levantar a cabeça se esticando, mas me faltam argumentos, e eu só quis registrar aqui que no conhecimento dos povos do oriente colocar os ossos no lugar e alinhar os chacras equivale a buscar Deus.

Coluna ereta, cabeça reta e mente alerta… Algo assim.

Eu havia falado que toda a confusão na qual vivemos foi arquitetada por Deus e estou certo mesmo em dizer isso. Eu acredito que a vida é tipo uma provocação.

O negócio é ficar atento o tempo inteiro e não perder a linha, não se irritar, não revidar provocação, controlar os pensamentos negativos, os maus hábitos e manter-se positivo, zen, em estado meditativo, calmo, por isso olhar para o azul, porque o azul transmite calma de alguma maneira, e o céu é cheio de azul, e é onde mora Deus também.

E eu pensando criticamente aqui com meu ceticismo passo a entender porque é que as tradições religiosas insistem nessa ideia.

Deve haver algo possivelmente cientifico a se entender nisso tudo. 

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6 comentários em “Cotidiano 

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